xadrez

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

AS PECAS - PARTE I


AS PEÇAS

PARTE I
 
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            Existem 32 peças de xadrez, sendo 16 brancas e 16 negras.  Para a ciência arcaica o número 32 pode ser sintetizado pelo número 5 (3+2), que indicava a Lei do Karma, que representava a lei da encarnação, da vida, lugar da decadência, do ciclo da vida e da morte, das coisas finitas e mortais. É o mundo que vivemos, o mundo dos interesses, da negociação, do ganhar e perder, do ser e ter ...

Essas peças são subdivididas da seguinte forma, de cada lado:

1 REI
1 RAINHA
2 TORRES
2 BISPOS
2 CAVALOS
8 PEÕES 

Elas representam nossas próprias imperfeições. Representam o conceito de tempo, pois são cíclicas e finitas como nosso corpo ou todos os atributos que constituem nosso corpo.
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Representam o homem com suas virtudes, defeitos, qualidades, em toda sua constituição física, psíquica e emocional; em outras palavras as Brancas e as Pretas simbolizam o corpo concreto de cada jogador, é uma extensão do praticante do jogo.

Historicamente, as peças sofreram algumas transformações no decurso de sua existência, no entanto, sempre existiu um simbolismo estrutural que sempre presidiu as qualidades que cada peça representa no jogo.

Nessa primeira postagem falaremos acerca do Rei, peça principal do jogo de xadrez. Nas próximas descreveremos as outras peças da mesma forma que fizemos com as partes que constituíam o tabuleiro.

 

O REI
 
 
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O Rei sempre foi uma figura axial. Numa partida de xadrez ele representa a essência de todas as outras peças.

Nas culturas antigas o Rei equivaleria ao que eles alcunhavam de Eu Superior, a parte mais sagrada, espiritual do jogo. O Eu Superior no homem, para as civilizações antigas, era o que chamamos hoje da parte mais espiritual no homem. Representa o conceito de eternidade, infinitude e realização plena e total que o ser humano pode alcançar. É a parte mais divina do jogo e do ser humano. O princípio e o fim de tudo.

Ele é uma representação masculina, simbolizando a sabedoria, a orientação, a estratégia, a referência e liderança. É a figura que ao ser conquistada derruba o império, a civilização, a vida, a guerra e o jogo. É a peça central do Jogo de Xadrez.

O objetivo central do xadrez é colocá-lo em uma situação tal que não possa se mover e ao ser atacado, ai se dá sua morte, Xeque-Mate (Rei Morto).

Como o Rei só pode se movimentar uma casa em todas as direções, fica óbvio a demonstração de sua impotência e dependência, característica básica que todo líder têm para com o restante das peças, para o restante do reino que rege.

O “Roque”, movimento especial do jogo, quando foi criado, tinha como conceituação filosófica a proteção que o líder recebia por parte do Sistema que ele é regido. Simbolizado um tipo de fortaleza que resguarda e protege o rei e todo o reino.
 
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O Rei simboliza o jogador no tabuleiro, aquele que busca controlar e administrar seu reino e dominar o reino oposto. Reflete diretamente, o jogador do xadrez, aquele que busca ser soberano e principal responsável por tudo que acontece na sua vida, seja internamente, seja externamente. Um homem ativo, sujeito e principal protagonista do drama da vida.

Na próxima postagem abordaremos a Rainha ou Dama, o lado feminino do todo.

 Abraços

Fernando Manarim

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O TABULEIRO - PARTE III - AS CASAS


O TABULEIRO

PARTE III

AS CORES DAS CASAS
 
 
 

            Encerrando a abordagem acerca dos elementos que compõe o tabuleiro de xadrez, apresentaremos diversas explicações acerca dos significados de suas cores. O tabuleiro é subdividido por 32 casas brancas e 32 casas pretas alternadamente. Segundo as tradições essa configuração nos remete a uma mandala.
 
 

            Para a tradição hindu antiga, a casa branca representa o pano de fundo espiritual, onde se assentam e se misturam as malhas da matéria (Universo Manifestado). Ele é uniforme e homogêneo. É do branco (invisível) que retiramos as nossas energias e sentido que, segundo eles, nos conduzirão nos labirintos do mundo.

            Segundo essa mesma tradição, o branco seria a plenitude, o eterno, o imperecível, por detrás do mundo da ilusão, as casas negras, o concreto, o finito e cíclico. Logo, o que existe realmente como coisa concreta seriam as casas negras, simbolizando o material. Que, segundo eles, seriam as “casas da oportunidade”, os 32 Caminhos da Sabedoria. Para a ciência das civilizações antigas a encarnação era uma possibilidade de se atingir a sabedoria e com isso não precisar mais reencarnar. Dentro dessa perspectiva jogar uma partida de xadrez é uma possibilidade de se atingir a sabedoria plena, que no caso, seria atingir o conhecimento pleno do jogo e, com isso, não precisar mais jogar xadrez, por ter decifrado todos os seus enigmas e mistérios, a realização completa do jogo em todas as suas fases e percalços.

            Para a ciência arcaica, as casas representariam ladrilhos onde pisamos, quadrículas alternadamente branco e negro, onde as peças refletiriam os jogadores.

            O tabuleiro é composto com a mesma intenção e significado do piso nas catedrais e templos religiosos. Se forem à Catedral da Sé, por exemplo, a cripta tem seu piso quadriculado como um tabuleiro de xadrez, o mesmo ocorrendo com o piso das lojas maçônicas.

 
            As cores branco e preto das casas atua conforme o sentido binário, princípio fundamental para a ciência das civilizações antigas, que se apoia nesse sentido como vemos nos conceitos de Yin e Yang, Luz e Trevas, Céu e Inferno, Espírito e Matéria...
 
 
 
 
 
 

            Foi dentro desta perspectiva que todo o tabuleiro foi criado e construído por seus criadores e aperfeiçoadores durante sua existência. O jogo possibilita que o jogador percorra o tabuleiro de vários modos: em coluna, em fila e em diagonal. Estes movimentos refletem o dinamismo da vida que exige do jogador (homem) qualidades como a atenção e a responsabilidade, pois em qualquer sentido que trilhar seu caminho, ira arcar com as consequências de suas escolhas e atos.

 

 

CONCLUINDO:

            O tabuleiro foi criado como um verdadeiro campo de guerra, onde as batalhas são empreendidas. Dentro da simbologia antiga o tabuleiro simboliza o espaço onde a pessoa nasce (início de uma partida), vive (joga a partida) e morre (termina a partida). Sendo o tabuleiro a representação do espaço universal, a ideia mais próxima que temos de algo infinito e eterno. Onde as partidas (ciclos) começam e terminam, mas o espaço (tabuleiro) nunca acaba e sempre está pronto para abrigar novas partidas.

            Logo, o xadrez, como pudemos deduzir através da exposição acerca do tabuleiro, transcende muito a ideia comum de ser um simples passatempo, mas principalmente uma ferramenta que nos auxiliar numa melhor compreensão acerca dos mistérios da vida; seus impactos, frustrações, desilusões, alegrias, esperanças, enfim, derrotas e vitórias verdadeiros destinos da partida da vida.
 

            Na próxima postagem começaremos a falar acerca das peças que compõe o jogo de xadrez.

Abraços

Fernando Manarim

           

           

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O TABULEIRO - PARTE II - AS CASAS


O TABULEIRO

PARTE II

AS CASAS

 

Continuando nossa abordagem sobre o tabuleiro, o segundo ponto a ser analisado são o que chamamos de casas, ou seja, a subdivisão interna desse grande quadrado que é o tabuleiro. Lembrando que nossa abordagem se preocupa com o conhecimento das civilizações arcaicas, responsáveis pela criação do xadrez, pois foi este conhecimento o verdadeiro responsável por seu nascimento.

O tabuleiro é subdividido em 64 casas, quadrados menores que simbolizam o mesmo que o quadrado maior, mas, serão o quadrado de cada peça e não e todas as peças como é o quadrado do tabuleiro.

 
64 é um número importante para as culturas antigas, como, por exemplo:
No budismo: a mãe de Buda era descendente de uma família com 64 espécies de qualidades.
Na tradição chinesa: Confúcio pertencia a sexagésima quarta (64) geração, desde de o fundador de sua dinastia, Houang-Ti.
Na Bíblia: segundo Lucas, Jesus era a 64º geração depois de Adão.

O número 64, também, não foi escolhido a esmo, mas foi fruto do conhecimento arcaico, já que 64 é o cubo de 4 (4x4x4) e o quadrado de 8, e segundo a ciência dos antigos, como já vimos na postagem anterior, o quadrado, que representa o mundo das formas, elevado à terceira potência (4x4x4), significava a plenitude da expansão. Assim, o tabuleiro de xadrez representa a expansão máxima que uma forma concreta pode alcançar e permite ao praticante atingir o máximo que um corpo pode permitir, exercício fundamental para que depois ele tente aplicar em si mesmo, na sua vida.

Para a cultura indiana tradicional, o número 64 é o número da realização da unidade cósmica, já que para eles os números poderiam ser reduzidos a uma unidade, que segundo eles eram os únicos verdadeiros, já que só existiam os números de 1 à 9, sendo os demais, sequências reduções a estas unidades. Por isso, 64 representa a unidade cósmica pois 64 é igual a 6+4 = 10, onde 1+0 = 1, que tinha o significado de unidade, incorporando a tudo e a todos. Logo, segundo essa ótica, o xadrez tem como principal objetivo transformar a dualidade em uma unidade, e isso é verdade, pois quando é dado o xeque-mate, o dois se transforma em um, o tabuleiro vira uma unidade.

 
Seguindo essa linha, para a escola pitagórica todos os números que podiam ser reduzidos ao número 1 (unidade cósmica), eram chamados de número de ouro, os números perfeitos e que representavam o divino; por exemplo: 10, 19, 28, 37, 46, 55, 64...

 
Para os maçons e rosa-cruzes o número 64 (8x8), era a afirmação da Lei do Quaternário (dos corpos, das formas concretas), que eles chamavam de Tetragramaton, onde o número 32 (2x16), correspondiam aos 2 jogadores com suas 16 peças. Todo esse simbolismo representava o que eles invocavam como os grandes Mistérios, já que estes possuíam 32 poderes espirituais correspondentes aos 32 portais de Sabedoria, onde ao conseguir solucionar todos os mistérios existentes no tabuleiro, se atingia o 33º, síntese dos graus anteriores. É o grau máximo dentro da maçonaria, relacionado, segundo eles, à idade de Jesus Cristo, 33, simbolizando a iniciação nos mistérios da morte e da ressurreição. Correspondente, no Budismo, ao o que chamam de SAMSARA (ciclo da vida, morte e renascimento). Daí, todo o interesse que os maçons têm sobre o jogo de xadrez, que sem dúvida, quando o jogo foi criado queria simbolizar, também tais conhecimentos.

            Por essas razões, o xadrez é também chamado de o “Jogo dos Reis”, pois simboliza a tomada de controle não só sobre seu adversário ou um território, mas sobre si mesmo, sobre o próprio eu, palco de batalhas e guerras constantes e intermináveis.

            Por isso, o jogo de xadrez desperta tanto o interesse de filósofos, cientistas, artistas, políticos e intelectuais, já que ele foi estruturado no emprego de leis universais, e conhecendo-o pode se conhecer essas leis, e jogando-o pode se saber o que acontece quando essas leis são postas em ação.

            Sendo assim, o xadrez é uma pequena maquete do mundo e de seus processos. Ao se conhecer seu processo, pode se saber antecipadamente aonde isso vai levar. Por isso, muitos praticantes da arte do tabuleiro conseguem “adivinhar” o que vai acontecer antes dos demais. Sabe que determinado processo, determinadas estruturas, vão chegar em determinado fim, em determinadas situações.

            Por isso ao jogar xadrez aprendemos a antecipar, a projetar e a vislumbrar os efeitos de determinados atos. Isso faz com que tenhamos um maior controle sobre nós e sobre o nosso entorno. Assim, podendo chegar antes dos outros, ou pelo menos, podendo melhor se preparar para o futuro.

            Na próxima postagem continuaremos a falar sobre o tabuleiro. O próximo tema será sobre as cores das casas, seus simbolismos e significados para a concepção do jogo de xadrez, dentro da visão da ciência antiga.

            Abraços

Fernando Manarim

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O TABULEIRO - PARTE I


POR UM XADREZ COMPLETO

O TABULEIRO

PARTE I

            Normalmente, temos o vício de não valorizar muito as partes, os detalhes, as frações que caracterizam as coisas. Somos muito mais atentos com o todo que aos fragmentos que o perfazem. Dessa forma, na maioria das vezes, deixamos de lado muitas informações importantes, que acabam por fazer falta na melhor compreensão e utilização do objeto de interesse. Esse é um problema que vem se acentuando exponencialmente, ainda mais com a informatização e a evolução tecnológica que está fazendo com que tudo fique cada vez mais fugaz e instantâneo.

 É exatamente isso que acontece muitas vezes com o xadrez. Subestimamos algumas partes e supervalorizamos outras, por falta de uma visão mais apurada e profunda de cada componente que o constitui. Essa visão deturpada e limitada do jogo, faz com que este seja mal aproveitado e, como já dissemos em outras postagens, seja subutilizado, valorizando muito mais um segmento em prejuízo dos outros, quando tudo que o compõem tem o mesmo grau de importância, caso contrário o xadrez não existiria. É o que observamos hoje, já que o xadrez acabou por se tornar uma ferramenta unicamente empregada em sua versão competitiva, de alto rendimento, deixando para trás suas características pedagógicas e terapêuticas tão primordiais e necessária no aperfeiçoamento de seus praticantes.

            Para não cairmos nessa armadilha, procurarei nessa e nas próximas postagens fazer uma análise mais aprofundada de cada componente que perfaz o jogo de xadrez. Uma abordagem mais holística, procurando respeitar as diversas culturas por onde o xadrez passou durante sua longa história e que de alguma forma contribuiu na construção do jogo como o conhecemos hoje, algo, infelizmente, muitas vezes relegado a segundo plano por falta de conhecimento, interesse ou por algum tipo de preconceito.

            Dessa maneira, daremos início à nossa abordagem.

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            O tabuleiro do xadrez é um quadrado subdividido em 64 quadrados menores (casas) alternando as cores claras e escuras, sendo 32 casas claras e 32 casas escuras. É um quadrado formado por 8 colunas por 8 fileiras.

            Mas, porque o tabuleiro foi elaborado dentro destas características? Será que isso foi pensado conscientemente, ou foi por mero acaso que ele foi projetado assim?

Acredito que essas perguntas são fundamentais para podermos compreender melhor a importância da concepção do tabuleiro, dentro do jogo de xadrez.

O QUADRADO

            Quadrado é uma palavra originada do latim (QUADRARE, QUADRATUS), que significava “aquilo que foi cortado seguindo ângulos retos”, originário de QUATTUOR, o número quatro (4).

            Por ser rico em arestas, para o conhecimento antigo, tal característica estava associado ao domínio da racionalidade, da impessoalidade e da neutralidade Por ser completamente simétrico e proporcional, não existia nenhum tipo de diferenciação, acabando com qualquer tipo de tendencialidade, por isso nos causando uma sensação de impessoalidade e neutralidade, qualidades fundamentais para que o xadrez fosse desenrolado num plano sólido, sem parcialidades ou qualquer tipo de vantagem.

            Sua forma sempre foi utilizada como geometria preferida quando se desejava trabalhar a ideia de um plano objetivo, graças à sua tridimensionalidade, espelhando exatamente a mesma dimensão que vivemos.

Sua solidez acabava agregando aos homens significados como firmeza, organização, solidez, estrutura, ordem e estabilidade. Elementos que se buscava trabalhar no jogo de xadrez.

            Como já salientamos em outras postagens, o tabuleiro representa a ideia de espaço, pois é nessa área que acontece a partida de xadrez. Seu formato quadrado era como as civilizações antigas simbolizavam a imagem do espaço, tanto na representação de um plano completo, como na representação do corpo dos seres vivos, do planeta, etc. Isso, porque como ressaltamos acima, o quadrado simbolizava o limite do mundo físico, daquilo que se encerra em si mesmo, de maneira inerte e derradeira.

            Para Platão, filósofo grego, o quadrado estava relacionado com a materialização das ideias, ou seja, era no quadrado que o mundo das ideias se concretizava, exatamente como ocorre no xadrez, já que é no tabuleiro o espaço onde todas as estratégicas serão concretizadas, materializadas, onde as ideias serão materializadas. Daí ele representar o corpo do homem como um quadrado, pois era nele que alma concretizava suas ideias.

            Outro fator importante, para o conhecimento antigo, e que também foi responsável pela escolha do quadrado como forma geométrica do tabuleiro, é que para eles cada um dos lados do quadrado representava um dos elementos da natureza, no caso, terra, água, fogo e ar. Se formos verificar a história do xadrez, uma das primeiras formas que o jogo foi praticado, o Chaturanga (jogo dos 4 elementos), era com quatro bandos de peças, onde cada um ocupava um lado do tabuleiro e representava um dos elementos. Se voltarmos à representação platônica, o corpo do homem era um quadrado subdividido em quatro veículos, cada um representando um elemento constituinte do corpo humano: corpo físico, anímico, emocional e mental.

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            Para as civilizações antigas, os quatro elementos simbolizavam entre outras coisas, os quatro pilares da sabedoria humana, ou seja, ciência, religião, filosofia e arte. Daí o xadrez ter essa dimensão de ser um jogo que nos eleva ao mundo da sabedoria, que nos faz ficar mais inteligentes, uma ginástica mental, pois também traz esses quatro elementos no seu tabuleiro.

            Era considerado um jogo sagrado, o “jogo dos reis”, e como os reis eram os grandes líderes religiosos de seu povo, o xadrez carrega em seu cerne essa ligação com o sagrado. Um exemplo disto era que seus templos antigos eram construídos em um formato quadrilátero. Um exemplo famoso são as pirâmides que são construídas sobre uma base quadrada, sobre um “tabuleiro”.
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      Outro fator ligado ao sagrado, está na imagem da cruz, símbolo fundamental de muitas religiões, e que quando se divide o tabuleiro em quatro quadrados, se faz uma cruz que define com exatidão o centro exato do quadrado.

            Oito linhas partindo do centro do quadrado, formam os eixos que indicam as quatro direções cardeais e os quatro cantos do mundo, a divisão óctupla do espaço. Essa divisão na tradição europeia era um emblema da divisão do dia e do ano. Assim, o tabuleiro representa toda a duração de uma partida, e assim por diante...

            Logo, o tabuleiro de xadrez esconde significados que vão muito além de sua aparência, demonstrando que aqueles que criaram o jogo, tinham como objetivo trabalhar elementos muito mais profundos para nos ajudar a elevar nosso nível de conhecimento. Poderia ficar explanando muito mais acerca da forma geométrica do tabuleiro, mas o que acho essencial é observar que esse quadrado busca refletir o nosso quadrado e os diversos elementos que constituem nosso quadrado existencial, seja internamente, seja externamente. E que ao aprender a tirar o máximo que o tabuleiro pode proporcionar para meu jogo, também me ajudará a aprender a utilizar o máximo da potencialidade no tabuleiro da vida. Já que o tabuleiro simbolizava para os antigos uma representação do mundo concreto, tecido de sombra e luz, onde se alternavam e equilibravam as forças contrárias. Para eles o tabuleiro representava o plano existencial tanto do homem como da terra, ou seja, o lugar onde tudo nascia crescia, morria e renascia. Enfim, o tabuleiro é o grande palco, onde tudo acontece e onde podemos aprender sempre.

            Nas próximas postagens continuarei explanando acerca dos componentes que formam o tabuleiro de xadrez.

 

Até a próxima!!!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

POR UM XADREZ MAIS COMPLETO


POR UM XADREZ MAIS COMPLETO

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            Analisando a Lenda de Sessa fica claro que o xadrez foi criado principalmente como instrumento para auxiliar os praticantes a encontrar respostas para seus dilemas existenciais, dúvidas, angústias, confirmações, etc. Enfim que a competição é apenas um reflexo do que ocorre em nossas vidas, sempre muito competitiva e de difícil conquistas.

            É um jogo que reflete a realidade de cada um, que espelha os conflitos vividos tanto no tabuleiro, como na vida e que se empregado dessa maneira pedagógica e terapêutica pode ajudar nas escolhas e nas respostas, orientando e dando sentido na evolução e desenvolvimento existencial de seus praticantes.

            E isso porque sua constituição reflete a constituição de tudo o que compõem o universo como também o ser humano que dele faz parte. Se observarmos com mais cuidado, notaremos que o jogo é constituído de elementos que refletem a mesma constituição que o homem, a sociedade e a natureza são formados. O jogo é constituído, a grosso modo, dos seguintes elementos:
Tabuleiro;
Peças;
Regras;
Jogadores.

Como foi dito acima, se compararmos esses elementos do jogo com os elementos que constituem a realidade, perceberemos que o jogo foi criado com essa preocupação, ou seja, de ser uma pequena maquete do mundo real.

Sendo assim:
             O tabuleiro pode ser relacionado tanto ao corpo humano em geral, como ao espaço social que ocupamos, como ao nosso planeta e assim por diante. Ele representa a ideia de ESPAÇO.

             As peças podem ser relacionadas às partes que formam o ser humano (órgãos físicos, emocionais, racionais...), como também, com as diversas classes sociais que formam uma sociedade, como os diversos seres vivos que habitam nosso planeta, etc. elas representam a ideia de TEMPO.

            As regras do jogo podem ser relacionadas às leis naturais que organizam nosso corpo humano, como também as leis que regem nossa sociedade, como, as regras que regem nosso planeta... Elas são aquilo que justificam e normalizam o todo e suas partes, representam a ideia de LEIS.

             Os jogadores podem ser relacionados à inteligência ou a mente no ser humano, como também ao estadista na sociedade, ou ainda, à ideia de Deus e assim por diante. Eles representam a ideia de ELOS DA REALIZAÇÃO DO TODO.

Assim, podemos praticar xadrez relacionando o jogo internamente, com a sociedade que faço parte, com a natureza que me rodeia e com o planeta que habito, ou até mesmo com o Universo que engloba tudo isso.
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Fazendo essa correlação posso atingir um conhecimento mais aprofundado e experiencial tanto do jogo, como também de mim mesmo, da sociedade, do planeta e do universo que contém todas essas partes.

Nas próximas postagens tentarei um pouco mais sobre cada parte e como trabalhar dentro de todas essas “dimensões”, que o xadrez proporciona.

Qualquer dúvida ou comentário, favor postar.

Abraços cordiais

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O XADREZ CONCEITUAL


O XADREZ CONCEITUAL
            Um dos maiores problemas para se evoluir no xadrez é a necessidade de se memorizar gigantescas variantes de aberturas e defesas. Se você buscar se especializar apenas em Ruy Lopez, por exemplo, são centenas de páginas com milhares de variantes e sub-variantes, que se você for tentar memorizar, você ficará perdido e, normalmente, depois de algum tempo esquecerá muitas ou misturará as variantes entre si.
            Outro problema na memorização é que, muitas vezes, o adversário pode jogar lances que não estão naquela variante que você memorizou e aí, você tem que tentar descobrir o lance na hora e todo aquele esforço cai por terra, causando uma sensação de frustração.
            Outro fator contrário à memorização de jogadas, é que isto leva muito tempo e dependendo da idade, não se tem todo esse tempo disponível para poder memorizar os lances estudados.
            O que pretendo apresentar aqui é que é possível trabalhar no xadrez de outra maneira, onde a memória será utilizada, mas não como único meio, mas antes como parte e sem tanta intensidade. Essa alternativa de estudo é o que chamo de trabalhar através da conceituação dos lances, seja lá quais forem eles: abertura, defesa, meio-jogo ou final. Todos esses segmentos podem ser conceituados e, inclusive, foram criados dentro desse parâmetro conceitual.
http://vastoconteudo.com/wp-content/uploads/2014/12/ia3.jpeg
            Conceituar significa compreender o plano de determinada combinação de lances. Em outras palavras, significa entender qual a estratégia adotada e proposta para atingir determinado objetivo, seja na abertura, meio-jogo ou final. Sempre há metas a serem atingidas e se sabermos quais são elas, poderemos compreender o porquê de cada lance em determinada combinação e respeitando determinada ordem.
            Para isso vamos utilizar as seguintes variações de tema como exemplo de conceituação:
VARIAÇÕES DE ABERTURAS COM e4:
1-e4; e5; 2-Bc4,Bc5; 3-Dh5.
1-e4, e5; 2-Bc4, Cf6;
1-e4,e5; 2-Cf3,Cc6; 3-Bc4, Cf6; 4-Cg5 (ataque Fegatello).
Essas são variações de um mesmo tema. Inicia com o tema do “Pastorzinho” e se desenvolve até o “Ataque Fegatello”. Temas muito conhecido pela maioria dos praticantes do jogo.
Então, vamos analisar conceitualmente as variações acima.
1-e4 à Começar com o peão da ala do rei ocupando o centro, significa que a estratégia de Brancas é atacar a ala do rei, por isso o avanço deste peão. O peão pressiona as casas brancas de d5 e f5, ou seja, ele quer controlar essas casas brancas por serem importantes para os dois pontos principais de quem joga pela ala do rei: os pontos de f7 e h7. Logo, o primeiro lance já traz consigo todo um conceito estratégico de jogo, projetando toda a partida a frente, como se fosse um DNA de Brancas.
1-...e5 à Também começa com o peão de rei, ocupando o centro, ou seja quer atacar a mesma ala do rei. Logo, ele terá os mesmos objetivos, no caso atacar os pontos de f2 e h2. Por isso, ele quer controlar as casas pretas de d4 e f4. É importante frisar que por enquanto não há nenhum tipo confronto estratégico pois cada um está jogando por seus pontos de ataque e não para se defender. Por isso, esses tipos de aberturas serem chamadas de abertas, pois jogam e deixa o outro jogar.
Primeira variação, do “Pastorzinho”:
2. Bc4 à Como Negras não jogaram contra o plano de Brancas, esta aproveita e continua sua estratégia. Ao jogar esse lance, tentar manter o controle sobre a casa d5 e, simultaneamente, a pressão sobre a diagonal de a2-g8, mirando, principalmente, o ponto de f7. Além disso, ao desenvolver as peças da ala do rei, libera o roque e pode, futuramente, rocar e avançar peão de f, tentando abrir a coluna ou apoiar avanço dos peões na ala do rei. Fiel ao conceito estratégico de seu primeiro lance.
2...Bc5 à Negras joga lance com o mesmo plano de Brancas, atacar ponto de f2, controlando a diagonal de d5, desenvolvendo peças da ala do rei e jogando por seu plano. Ainda aqui houve não nenhum confronto entre as Brancas e as Negras.
3. Dh5 à Brancas se mantém fiel ao seu plano inicial. Ataca peão de e5, sem defesa, querendo fazer com que o adversário acredite que esse é seu único interesse. Mas o que ele objetiva realmente, é atacar o ponto de f7, podendo no próximo lance dar xeque-mate.
Acredito que já ficou claro como se joga o xadrez de forma conceitual. Mais do que lances, o que buscamos entender é o plano estratégico que está por trás de cada lance. Se conseguirmos entender isso, acabaremos por achar os lances, independente da memorização, pois é possível se chegar aos lances pela compreensão dos verdadeiros objetivos que se escondem por trás deles.
Assim, na segunda variação o jogador de Negras, ao compreender qual o verdadeiro objetivo de Brancas ao jogar e4 e Bc4, joga no lance 2-...Cf6, que defende a entrada da Dama. É óbvio, que ao jogar este lance, Negras passa a jogar contra o plano de Brancas e com isso perde a iniciativa de jogar por seu plano, pois luta para não deixar as casas brancas sem defesa.
E, na terceira variação de nosso exemplo, Brancas ao ver que Cf6 atrapalha o plano de ataque na ala do rei, elabora outra forma de explorar a posição:
Ao invés de jogar o 2-Bc4, prefere jogar Cf3, desenvolvendo o cavalo da ala do rei, atacando o peão de e5, sem defesa, dando a impressão de ter aberto mão de seu plano estratégico das casas brancas, já que passa a tentar atrapalhar o plano das Negras pelas casas pretas. Ao mesmo tempo, força Negras a defender seu peão atacado. No caso, Cc6, que defende e tenta manter o controle pelas casas pretas de d4. Parece que Negras estão com iniciativa e se Brancas continuar jogando pelas casas pretas é isso mesmo o estará acontecendo no tabuleiro.
Mas agora Brancas joga 3.Bc4, que volta a jogar pelas casas brancas e pelo ponto de f7.
Negras escolhe desenvolver cavalo em f6, atacando peão de e4, sem defesa. Quer desenvolver as peças da ala do rei, para rocar rápido e defender o ponto de f2. Dessa forma, Negras passam a jogar contra o plano de Brancas, perdendo a iniciativa.
Aqui, Brancas escolhe uma tática diferente de abordar o ataque em f7, que é o lance 4.Cg5, que ataca as casas brancas, mas agora com uma peça de valor inferior à Dama, como vimos na variante do Pastorzinho. E assim por diante.
Pelo xadrez conceitual fica claro a evolução e a criação de novas formas táticas para explorar o plano estratégico escolhido na abertura, que no nosso exemplo, foi a ala do rei, especificamente o ponto de f7.
Se jogarmos dentro dessas premissas conceituais, seremos capazes de dialogar com o adversário, com a posição, usando principalmente a compreensão ao invés de usar somente a memória. Fica muito mais prazeroso jogar; você aprende muito mais e acaba aplicando essa forma de ver conceitual no seu dia-a-dia, já que na vida real, as coisas não são tão diferentes da estratégia do xadrez.
Nas próximas postagens, faremos mais análises utilizando esse método do xadrez conceitual e fazendo apartes conceituais na realidade cotidiana das pessoas.
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Até a próxima!
 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ORIGEM DO XADREZ: POR QUE, COMO E PARA QUE JOGA-LO


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Continuando o assunto tratado no dia 24/01/2015, afirmamos que existem outras formas de jogar xadrez além da competição, ou seja, que o xadrez é uma ferramenta que pode trabalhar o praticante pedagógica e terapeuticamente, ensinando a se conhecer, conhecer os outros e conhecer o mundo a qual pertence. Isso pode ser comprovado na Lenda de criação do xadrez, conhecida como a Lenda de Lahur Sessa, lenda que pode ser encontrada na obra de Malba Tahan, “O Homem que calculava”.

            Essa lenda conta a história de um rei que para vencer a guerra contra seu inimigo, tendo um exército menor, teve que criar uma estratégia que levou-o à vitória, mas que lhe deixou como saldo a morte de seu filho, o príncipe Adjamir.

            Com peso na consciência, amargurado e sem vontade de mais nada, passou a viver enclausurado em seu próprio quarto, com uma caixa de areia ao lado de sua cama, riscando-a com uma varinha o desenho da batalha onde seu filho foi ferido mortalmente. Assim, procurava verificar se havia outra estratégia para vencer a guerra sem ter que perder eu filho tão querido. Estava obcecado e transtornado com essa ideia fixa e não fazia outra coisa senão riscar e apagar, riscar e apagar o desenho da batalha.

            Certo dia, um jovem Brahmane de nome Sessa, chegou ao palácio afirmando ter inventado uma coisa que daria as respostas que o rei tanto buscava, e que dessa forma devolveria ao rei a alegria de viver.

            Sendo levado diante do rei, apresentou a invenção: Era um jogo, constituído de tabuleiro, peças e regras. Curioso, o rei aprendeu rápido, passando a jogar partidas com seus súditos ininterruptamente.

            Em determinada partida, o rei tentava a todo custo vencer uma partida difícil,  mas não conseguia achar uma solução. Vendo a dificuldade que o rei passava, Sessa comentou que naquela situação só haveria uma maneira de alcançar a vitória; ele teria que sacrificar a Dama, uma peça valiosíssima, para poder liberar suas peças do jugo do adversário, pois só assim conquistaria o rei inimigo, objetivo desse novo jogo.

            Naquele momento o rei reconheceu que aquela posição refletia o que ele tinha passado na guerra em que perdeu seu filho, e compreendeu que para vencer aquela guerra, só existia uma única estratégia, que no caso, como na partida de xadrez, teria que sacrificar sua “peça” mais valiosa, seu filho, para poder trazer paz e felicidade ao povo de seu reino. Aliviado, o rei voltou a reinar como antes, pois tinha entendido que como rei ele tinha sido justo, pois o bem do povo vem sempre em primeiro lugar.

            Sinteticamente, essa lenda nos apresenta de maneira clara a verdadeira finalidade da criação do jogo de xadrez, ou seja, mais do que um simples jogo de competição, ele representa uma maquete onde, ludicamente, passamos por situações similares àquelas que vivenciamos na vida real e que, por isso, podemos utiliza-lo como um laboratório de experiências, para que na vida possamos estar melhor preparados para tal confronto. É uma ferramenta pedagógica, por que nos ensina a utilizar todas as potencialidades das coisas e de nós mesmos e terapêutica por nos mostrar como nós agimos nas mais diversas situações, gerando conhecimento e auto-conhecimento para nos aperfeiçoar nas situações cotidianas que acontecem em nossa vida.
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            Futuramente, iremos demonstrar como podemos jogar xadrez não só competitivamente, mas, também, pedagógica e terapeuticamente.